Ainda não fizeram duas semanas desde que escrevi aqui pela última vez mas muitas coisas aconteceram desde então. Como comentei no último post, fui de viagem. Fui pela primeira vez ao Dubai! Uma experiência, além de divertida, muito interessante. Nunca na minha vida tinha estado num país assim, tão contraditório, tão extremo. Nunca na minha vida tinha estado no deserto. Nunca na minha vida tinha subido ao edifício mais alto do mundo. Nunca na minha vida tinha feito compras no maior shopping do mundo. E a lista continua. Em breve escrevo um post sobre a viagem, para partilhar as minhas experiências (mas posso desde já adiantar uma curiosidade: encontrei lá imensos portugueses!).
Passei uma semana no Dubai, relaxada, descontraída, feliz e sem ter a mínima ideia do que me esperava aqui na Suécia. Ainda bem. No dia seguinte ao meu regresso, 5ª feira, fiquei a saber que a empresa onde trabalho tinha que fazer de novo cortes drásticos de custos. Mais de 60 pessoas foram despedidas. Sim, incluindo eu. Ontem tornou-se oficial.
E embora não estivesse realmente nos meus planos, eu achei interessante falar um pouco sobre o (des)emprego aqui na Suécia. O processo de ficar desempregado neste país.
• Os representantes da empresa devem marcar uma reunião na qual notificam o trabalhador da decisão e explicam um pouco mais sobre os motivos detrás dela. Provavelmente, os representantes irão perguntar ao trabalhador se ele(a) faz parte de algum sindicato de trabalhadores e, se sim, qual deles.
• Quando o sindicato não está envolvido, o processo é mais rápido e flexível. Mas se o trabalhador fizer parte do sindicato, a empresa deve entrar em contacto com este e entrar em negociações. O tempo que isto demora depende de caso para caso.
• A partir do momento em que o sindicato "aprova" o despedimento, o trabalhador tem X meses de aviso prévio. O número de meses depende do tipo de contrato. Eu tenho direito a 3 meses. Há colegas meus que apenas têm direito a 1 mês de aviso prévio e outros que têm direito a 4, por estarem na empresa há mais tempo.
• Depois desses X meses, entra o subsídio de desemprego. E agora vamos a algo importante, que eu gostaria que toda a gente que trabalha em solo sueco soubesse. Na Suécia, não basta pagar impostos para ter direito ao subsídio de emprego, o a-kassa. É preciso fazer a inscrição em instituições próprias para o efeito e pagar uma mensalidade.
Tanto quanto sei, é preciso estar inscrito na associação em questão por pelo menos 1 ano de forma a ter direito ao subsídio de desemprego. É possível que este tempo varie de instituição para instituição. Aqui está uma lista de instituições. Ou seja, quem trabalha na Suécia e ainda não está inscrito numa instituição de a-kassa deve inscrever-se já. Isto parece óbvio, mas tenho colegas (não suecos) que ficaram numa situação delicada por não terem feito a inscrição...
Também muito importante: para receber o subsídio de emprego, deve fazer-se a inscrição em pessoa no centro de emprego (Arbetsförmedlingen) no primeiro dia de desemprego.
[Nota: post editado para incluir mais detalhes. As informações acima reflectem as minhas circunstâncias. Outras pessoas, com outros tipos de contratos e sem ligação ao sindicato, terão outra experiência.]
E é isto, gente. Não perdi o meu emprego de sonho mas perdi um emprego pelo qual eu tinha muito carinho. Estou triste, estou assustada mas também estou esperançosa. Melhores dias virão...
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