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domingo, 24 de novembro de 2019

Ser mãe na Suécia #1


"Então Joana, ainda não começaste a trepar às paredes?"

Estou em licença de maternidade há dez meses. Durante a gravidez, perguntei a mim como iria ser estar em casa "durante tanto tempo". E houve quem me tenha perguntado se iria aguentar. Eu calculei que o mais provável era arranjar um hobby novo, ler livros, voltar a escrever no blog com regularidade! Mas na verdade...

Os nossos dias passam a voar
A licença de maternidade tem sido muito diferente do que eu imaginava. Às vezes quero rir-me quando me lembro da minha ilusão de arranjar um hobby novo. Os nossos dias passam a voar! Sim, mesmo os dias que passamos em casa. Entre papas, brincadeiras, leituras, mudas de fralda, sestas, caminhadas e playdates com mamãs e bebés, dou por mim a olhar para o relógio e já é hora de adiantar o jantar.


O YouTube e o Netflix são amigos
Não, ainda não arranjei tempo para ler livros tal como esperava. No entanto, tenho "ouvisto" bastantes documentários. Enquanto a Luisinha dorme na sua cama, eu ouço documentários com os phones do telemóvel enquanto faço coisas pela casa fora. Os últimos foram um documentário sobre a Rainha Maria da Escócia e um sobre a vida da mãe de Shakespeare, no YouTube (não me perguntem porquê, basta darem-me coisas Britânicas, sobretudo sobre história, e não descolo do ecrã). Também vi/ouvi vários sobre a Segunda Guerra Mundial (esteeste e este) no Netflix. 

Não somos mais que as mães (tecnicamente), mas somos muitas mães (e pais)
Sim, a licença de maternidade é longa, mas isso também significa que há muita gente na mesma situação! Na era das redes sociais, isso significa que só no Facebook há montes de grupos de mães, muitos deles locais e dedicados a conhecer outras mães e a criar encontros. Eu faço parte de um grupo de mães internacionais e todas as semanas nos reunimos para tomar café. Faço parte de um grupo de mães da minha vizinhança e todas as semanas há uma caminhada. Faço parte de um terceiro grupo, esse criado pelo centro de saúde infantil (barnavårdcentralen ou BVC), que agrupa mamãs de acordo com o mês de nascimento das suas crias. Há mais grupos, mas os que mencionei são os mais activos. E também conheci gente já durante a gravidez, com a qual ainda convivo. Entre cafés, almoços, passeios, visitas a museus etc, não falta o que fazer, pelo menos em Estocolmo (não posso falar por quem vive em meios mais rurais).  

A öppna förskolan
Em todo o lado há uma öppna förskola, que são pequenos centros de actividades para bebés. É gratuito e não é preciso inscrição. Algumas são geridas pelo município, outras pela paróquia. Normalmente há café para os papás e brinquedos para os bebés, que convivem numa manta/colchão XXL no chão.  Há o sångstund (momento musical), em que toda a gente se senta em círculo no chão e canta musiquinhas infantis. 


A Luisinha na öppna förskolan

...E outras actividades
Algumas bibliotecas e museus também organizam eventos para bebés. Há uns tempos fui a um evento de dança Africana para bebés, organizado pelo Dansmuseet (Museu da Dança). Quem dançou foram os paizinhos de bebés nos braços, claro, foi um bom exercício. Em breve vamos a uma peça de teatro para bebés. Ópera para bebés e cinema para bebés (barnvagnsbio)  também há e havemos de ir. Mais uma vez, não posso falar por quem vive em meios mais rurais, mas em Estocolmo não falta o que fazer. 

A acessibilidade
Algo que realmente aprecio na Suécia é a acessibilidade. As ruas e os edifícios estão adaptados a quem anda de cadeira de rodas e, obviamente, a quem anda de carrinho de bebé. Os passeios são largos e normalmente estão em muito bom estado. Há rampas e, se necessário, elevadores em todo o lado. As portas são largas, muitas delas têm um sistema de abertura automático, basta carregar num botão. É muito fácil uma pessoa deslocar-se, mesmo com um carrinho de bebé, o que facilita imenso o dia-a-dia.

O resumo

A licença de maternidade tem sido diferente do que imaginava. Tem sido melhor. Eu estou a amar estar em casa com a minha menina. Há dias em que fazemos actividades, e outros em que ficamos a descansar. Há dias melhores e dias piores, claro, mas mesmo nos momentos chatos eu estou grata por cada minuto que posso dedicar-me à Luisinha a tempo inteiro. Para mim, é um privilégio imenso ter a possibilidade de estar em casa com a minha menina durante "tanto tempo". As pessoas dizem-me para aproveitar, que passa tudo a voar. Acreditem em mim quando digo que eu tenho noção disso e que nunca na minha vida estive tão presente no aqui e no agora, a tentar com que os momentos passem devagar... devagarinho... e de preferência que fiquem gravados para sempre.